Deputado Marcelo Aguiar importunava mulheres antes de disparo em balada de SP, dizem testemunhas
Segundo testemunha e registro da PM, parlamentar do PL estava embriagado e armado quando homens foram tirar satisfação. Defesa diz que ele estava sob efeito de remédios e que o disparo foi acidental
O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), de 53 anos, estava embriagado e importunava mulheres antes da confusão que terminou com um disparo de arma de fogo na madrugada desta segunda-feira (19), segundo testemunhas e policiais. O caso aconteceu durante uma festa na casa noturna Santo, no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo. As informações são do g1 SP e da TV Globo.
O tiro provocou pânico e correria. O apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte de São Paulo, que estava no local, disse ter sentido o impacto do disparo no pé.
O relato da testemunha
Uma testemunha que estava ao lado do deputado pouco antes da confusão disse ao g1 que ele estava muito bêbado e segurava uma taça de vinho que derramava. Segundo ela, o parlamentar tentava pegar na mão, encostar e tocar no cabelo de pelo menos duas clientes do camarote, que não demonstravam interesse.
Ainda segundo a testemunha, uma das mulheres pediu ajuda aos amigos, e um deles pediu ao deputado que parasse. Uma amiga chegou a abraçar uma das jovens para evitar o contato. A testemunha falou sob a condição de não ser identificada.
O boletim da Polícia Militar também registra que a ocorrência começou depois que o deputado “cantou” uma mulher que estava com amigos.
O disparo
Segundo a testemunha, dois ou três homens foram falar com o deputado. Ela disse ter visto o grupo ir para cima dele e o parlamentar cair no chão. Enquanto ele caía, houve o disparo. A testemunha afirmou que, na hora, não soube de onde partiu o tiro e chegou a pensar que o deputado tinha sido baleado.
As versões oficiais divergem. A principal hipótese da Polícia Civil é de que o tiro tenha sido acidental, durante a queda. Já o boletim da PM diz que o deputado “se sentiu acuado”, sacou a arma e fez um disparo que não atingiu ninguém. Os policiais registraram que ele aparentava estar alcoolizado.
A pistola Glock calibre .380 do deputado, que tem autorização para porte, foi apreendida e deve passar por perícia para esclarecer se o disparo foi acidental ou intencional.
Detido e liberado
Marcelo Aguiar foi algemado e levado à delegacia em uma viatura da PM, onde chorou, segundo policiais e testemunhas. Como tem imunidade parlamentar e o crime de disparo de arma de fogo é afiançável, foi liberado para responder em liberdade.
Segundo o relatório da PM, o chefe da segurança da casa noturna disse que o deputado se identificou como parlamentar na entrada, não passou por revista e não avisou que estava armado.
Saída bloqueada
A testemunha também relatou que, depois do tiro, os frequentadores tiveram dificuldade para deixar o local por causa do pagamento das comandas, e que a porta só foi liberada depois de protestos. A casa noturna informou que colabora com as investigações.
Possível importunação sexual
Ouvida pela reportagem do g1, a advogada Fernanda Perregil, doutoranda em Direito pela PUC-SP, afirmou que tocar mulheres sem consentimento pode, dependendo das circunstâncias, configurar importunação ou assédio sexual, o que exige análise de cada caso.
Placa da Alesp
O carro que o deputado dirigia estava estacionado em frente à balada com placas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), mas não está cadastrado como veículo oficial. A Alesp informou que o Conselho de Ética vai apurar a conduta do parlamentar.
Antes de ir à casa noturna, Marcelo Aguiar tinha participado de um ato na Avenida Paulista em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Quem é
Cantor gospel, Marcelo Aguiar ficou conhecido no grupo Renascer Praise, da Igreja Renascer em Cristo. Integra a bancada evangélica da Alesp. Foi eleito vereador de São Paulo em 2008, pelo PSC, e deputado federal em 2010. É casado e tem dois filhos.
O que diz o deputado
Em depoimento à Polícia Civil, Marcelo Aguiar disse que passou mal em alguns momentos na casa noturna e atribuiu isso a medicamentos que havia tomado. Ele não mencionou o consumo de álcool. Afirmou ainda que ouviu o disparo e que, se o tiro saiu da arma dele, foi de forma acidental.
Em nota, a assessoria do deputado disse que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, teve uma reação adversa e acabou se envolvendo em uma discussão. A assessoria afirmou que ele não foi preso, apenas prestou esclarecimentos e foi liberado, que vai passar por consulta médica e que confia na Justiça.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi questionada sobre a falta de teste do bafômetro, a realização de exame residuográfico, os relatos sobre as mulheres e o uso da placa da Alesp. A pasta informou que apura os questionamentos.
Com informações do g1 SP e da TV Globo.