Governo investiga se incêndios no Amazonas são ação criminosa organizada, diz ministro
Segundo Capobianco, há focos no meio da floresta preservada, longe de áreas de pasto. Ministro não descarta ligação com as eleições, mas diz que essa é apenas uma linha de investigação
O governo federal investiga se uma ação criminosa deliberada está por trás do aumento das queimadas no Amazonas. A afirmação é do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, em entrevista à agência France Presse (AFP), publicada pelo portal g1.
O ministro sobrevoou as áreas atingidas no domingo (11) e disse ter visto centenas de focos no meio da floresta preservada, longe de áreas agropecuárias. Para ele, isso indica que não se trata de queimadas de pasto que saíram do controle, mas de uma ação para degradar a floresta e tomar posse ilegal de terras. Segundo Capobianco, os responsáveis agem de forma aparentemente organizada.
Possível ligação com a eleição
Capobianco afirmou que há a possibilidade de uma conexão direta com o período eleitoral, mas ressaltou que, por enquanto, é só uma linha de investigação. Ele disse que o fato de políticos terem usado o tema em propaganda eleitoral indica uma potencial ligação, mas não deu detalhes nem citou nomes.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou recentemente as queimadas e acusou o governo do presidente Lula (PT) de negligência.
Investigação em Manaus
Nesta quarta-feira (14), Capobianco viaja de novo a Manaus com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, investigadores da Polícia Federal e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para tentar identificar os responsáveis. A polícia do Amazonas também investiga os incêndios.
O governo federal enviou 11 aeronaves e cerca de 300 brigadistas ao estado. O ministro disse esperar reverter a situação nos próximos dias.
Os números
Segundo dados de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 1.608 focos de queimadas desde o início de outubro, contra 874 em todo o mês de outubro de 2025. Em setembro, foram mais de 3.700 focos, quase quatro vezes o registrado um ano antes. A comparação é feita com 2025, quando os números ficaram entre os mais baixos da série histórica.
A fumaça piorou muito a qualidade do ar em Manaus, que tem 2,3 milhões de habitantes. A prefeitura fechou as escolas públicas desde sexta-feira (9).
Capobianco lembrou que o desmatamento na Amazônia caiu pela metade entre 2022 e 2025. A região enfrenta neste ano uma seca agravada pelo El Niño.
Com informações da AFP e do g1.