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Médica é demitida de maternidade em Goiânia após mensagem sobre não dar alta a pacientes “petistas”

Chefe da ginecologia e obstetrícia enviou a orientação a colegas dois dias antes do primeiro turno. Ela pediu desculpas e afirma que nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Procuradoria Eleitoral pediu investigação

Médica é demitida de maternidade em Goiânia após mensagem sobre não dar alta a pacientes “petistas”
Foto: Reprodução / TV Anhanguera

A médica Marcella Segato de Sousa Melo foi demitida na terça-feira (6) da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, depois de enviar a colegas uma mensagem em que orientava a não dar alta a pacientes no fim de semana da eleição. Ela era chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade e já estava afastada das funções durante a apuração interna. As informações são do g1 Goiás.


A mensagem


O caso ocorreu em 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno. Em um grupo de WhatsApp de profissionais da maternidade, a médica escreveu que quem estivesse de plantão na enfermaria no sábado e no domingo não deveria liberar pacientes. A justificativa foi: “não dar alta para ninguém, a maioria é petista”. As imagens da conversa foram exibidas pela TV Anhanguera.


Doze participantes reagiram com emojis de risada, sinal de positivo e bandeira do Brasil. Uma pessoa respondeu “combinado”.


Não foi possível confirmar se algum profissional seguiu a orientação e deixou de dar alta a alguma paciente por esse motivo.


O que diz a médica


Em nota, Marcella pediu desculpas às pacientes, às famílias, aos colegas e ao hospital, e disse lamentar profundamente as mensagens.


Ela afirmou que o conteúdo não se transformou em conduta nem resultou em procedimentos inadequados. Segundo a médica, nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada, e todas foram avaliadas e liberadas apenas por critérios clínicos. Ela disse ainda que o voto é secreto e deve ser respeitado, e que desde 2017 fez milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções.


O que diz o hospital


A médica era contratada por uma empresa que presta serviços à organização social responsável pela gestão da maternidade.


Em nota, o hospital afirmou que não adota posição político-partidária e que as mensagens foram trocadas em um grupo privado de médicos, como manifestações pessoais dos participantes. A unidade disse que decisões sobre internação e alta devem seguir apenas critérios clínicos, técnicos e éticos.


A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar o caso e reforçou às equipes a orientação de garantir atendimento ético e respeitoso a todos os usuários do SUS.


Investigações


A Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás pediu a investigação do caso e o encaminhou ao órgão do Ministério Público Eleitoral responsável pela apuração. A Procuradoria informou que adotou medidas preventivas para garantir o livre exercício do voto no segundo turno, mas não deu detalhes, porque o procedimento tem acesso restrito. O órgão disse que não antecipa avaliação sobre os fatos.


O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) afirmou que apura todas as denúncias sobre a conduta ética de médicos e que os processos correm em sigilo. O conselho também pediu esclarecimentos ao responsável técnico da maternidade.


Com informações do g1 Goiás e da TV Anhanguera.

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