PL elege a maior bancada do Congresso e deve pesar na governabilidade do próximo presidente
Com 121 deputados e 28 senadores, partido mira as presidências da Câmara e do Senado e as principais comissões. Cenário favorece Flávio Bolsonaro e dificulta um eventual novo governo Lula
O Partido Liberal (PL) saiu das eleições de domingo (4) como a maior bancada do Congresso Nacional, com 121 deputados e 28 senadores. O resultado deve dar ao partido influência sobre os temas que serão discutidos nos próximos quatro anos, seja qual for o presidente eleito em 25 de outubro. As informações são do portal g1.
O PL já anunciou que quer as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Com a maior bancada, também pode comandar as principais comissões das duas Casas, por onde os projetos passam antes de chegar ao plenário.
O que muda para cada candidato
O tamanho das bancadas define a governabilidade, que é a capacidade de um governo de aprovar suas propostas. Sem maioria, o presidente precisa fazer alianças com outros partidos.
Se o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer o segundo turno, encontrará um Congresso com mais parlamentares próximos de suas pautas. Pelas contas do próprio PL, cerca de 283 dos 513 deputados estariam alinhados com o partido.
Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) for reeleito, o cenário é o oposto. Ele terá um Legislativo mais distante de suas propostas e mais dificuldade para montar uma base. O PT elegeu 70 deputados.
Nem PL nem PT têm, sozinhos, os votos necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Os dois dependem de aliados.
Disputa pelas comissões
Na Câmara, os blocos partidários com mais deputados escolhem primeiro as comissões que querem presidir. O PT precisará de alianças para evitar que os principais colegiados fiquem com o PL.
No Senado, a divisão é feita por acordo entre os líderes, mas o tamanho das bancadas também pesa. Como maior bancada, o PL terá mais poder de negociação.
As comissões mais disputadas são:
Constituição e Justiça, na Câmara e no Senado
Comissão Mista de Orçamento
Assuntos Econômicos, no Senado
Saúde, na Câmara, e Assuntos Sociais, no Senado
As duas últimas concentram emendas parlamentares. O PL também deve se interessar pelas comissões de Segurança Pública.
Quantos votos são necessários
Na Câmara:
Projeto de lei e medida provisória: maioria dos presentes
Projeto de lei complementar: 257 votos
PEC: 308 votos
Pedido de CPI: 171 assinaturas
Abertura de impeachment do presidente: 342 votos
No Senado:
Projeto de lei e medida provisória: maioria dos presentes
Projeto de lei complementar: 41 votos
PEC: 49 votos
Indicações ao STF e a agências reguladoras: 41 votos
Pedido de CPI: 27 assinaturas
Impeachment do presidente ou de ministro do STF: 54 votos
Pautas do PL
Uma das principais bandeiras do partido é o enfrentamento ao Judiciário, em especial ao Supremo Tribunal Federal (STF). Parlamentares bolsonaristas querem abrir processos de impeachment contra ministros da Corte e aprovar a PEC que limita decisões individuais no STF. O texto passou no Senado em 2023 e está parado na Câmara.
Lideranças do PL também se posicionaram contra a PEC que acaba com a escala 6x1, em discussão no Senado. O partido defende um modelo flexível, com pagamento por hora e carga horária negociada entre trabalhador e empregador.
Na Câmara, o partido prioriza a redução da maioridade penal, defendida por Flávio Bolsonaro. A comissão especial que analisa a PEC para julgar adolescentes de 16 anos como adultos já funciona, mas não tem data para votar.
Emendas de comissão
Os partidos também disputam as comissões por causa das emendas. No Orçamento de 2026, o Congresso aprovou R$ 12,1 bilhões em emendas de comissão: R$ 8 bilhões para a Câmara e R$ 4 bilhões para o Senado.
Uma brecha na lei permite que a indicação desses recursos seja feita pelo líder partidário, sem identificar o parlamentar responsável, como ocorria no chamado "orçamento secreto". Diferentemente das emendas individuais e de bancada, o pagamento não é obrigatório e depende de negociação com o governo federal.
Com informações do g1.