EUA vão restringir vistos de acusados de discriminação contra brancos na África do Sul
Departamento de Estado diz estar 'profundamente preocupado' e cita lei de redistribuição de terras; governo sul-africano nega perseguição a afrikaners.
Redação Mira da Notícia
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (15) que passará a restringir vistos de cidadãos estrangeiros acusados de praticar discriminação racial contra afrikaners, comunidade de brancos sul-africanos descendentes sobretudo de holandeses, alemães e franceses.
O que diz o comunicado
Em nota, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o governo americano segue "profundamente preocupado com crimes motivados por questões raciais" na África do Sul e acusou o governo local de promover discriminação contra afrikaners e outras minorias, citando "legislação discriminatória baseada em raça, ameaças de desapropriação de terras sem indenização e incitação à violência racial por meio de cantos e slogans desumanizantes".
Serão atingidos pela restrição:
- estrangeiros responsáveis ou cúmplices na elaboração ou implementação de leis e políticas que permitam desapropriação de terras sem indenização;
- responsáveis por discriminação baseada em raça ou por incitação à violência iminente contra integrantes de grupos étnicos ou raciais minoritários no país.
"Os Estados Unidos não permitirão que esse tipo de comportamento continue sem resposta. Essas ações prejudicam diretamente a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito", afirmou Rubio.
A disputa pela terra
No centro do atrito está uma lei aprovada pelo Congresso sul-africano para corrigir o desequilíbrio na distribuição fundiária. Os dados ajudam a dimensionar o problema: brancos detêm três quartos das terras agrícolas de propriedade plena do país, enquanto negros respondem por apenas 4% dessas áreas — ainda que representem mais de 80% da população.
Os afrikaners somam hoje cerca de 4% dos sul-africanos, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas em um país de mais de 60 milhões de habitantes. Historicamente, estiveram entre os principais grupos políticos responsáveis pela criação e manutenção do apartheid, regime que institucionalizou a segregação racial até o início dos anos 1990.
Antecedentes e contestação
O tema já havia gerado tensão entre os dois países. Em 2025, Trump afirmou que o governo sul-africano estava "confiscando terras" e tratando "certas classes de pessoas" de forma injusta, e os EUA chegaram a acolher integrantes da comunidade em território americano. O bilionário Elon Musk, nascido na África do Sul, declarou que os brancos do país eram vítimas de "leis racistas de propriedade".
O governo sul-africano nega que exista genocídio contra brancos. Segundo a BBC, informações falsas sobre o tema circulam em grupos de direita há anos, inclusive durante o primeiro mandato de Trump. Em fevereiro do ano passado, um juiz sul-africano também registrou em decisão que não havia genocídio no país.
Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.