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Pesquisa inédita vai rastrear baleias-jubarte por satélite para evitar choques com navios no ES

Dez animais receberão transmissores de 100 gramas na temporada de 2027. Os dados serão cruzados com o tráfego marítimo para mapear áreas de risco de colisão.

Redação Mira da Notícia

Pesquisa inédita vai rastrear baleias-jubarte por satélite para evitar choques com navios no ES

Na próxima temporada de reprodução das baleias-jubarte, dez animais terão um pequeno transmissor preso ao corpo para revelar, por satélite, os caminhos que percorrem no litoral do Espírito Santo. A pesquisa é pioneira no estado e busca descobrir onde os trajetos das baleias cruzam as rotas de grandes navios, para ajudar a evitar que elas sejam atingidas e mortas no mar.

Todos os anos, as jubartes chegam ao litoral brasileiro para se reproduzir e ter seus filhotes. No mesmo mar, grandes embarcações entram e saem dos portos do estado. Segundo os pesquisadores, este será o primeiro estudo com tagueamento no Brasil voltado especificamente a entender como as jubartes usam a região durante a temporada reprodutiva e a cruzar esses deslocamentos com o tráfego marítimo.

A área monitorada

O trecho acompanhado vai de Serra, Vitória e Vila Velha até Guarapari, avançando pela plataforma continental e chegando a cerca de 23 milhas náuticas da costa.

O tamanho do desafio

Segundo o Atlas Portuário do Espírito Santo 2026, do Observatório Findes, os quatro terminais do Complexo Portuário de Tubarão registraram juntos 982 atracações em 2025 — todas dentro da área da pesquisa.

  • Porto de Tubarão: 528 atracações, com embarcações de até 365 metros
  • Terminal de Produtos Siderúrgicos: 259
  • Terminal de Praia Mole: 147, com navios de até 300 metros
  • Terminal de Barcaças Oceânicas: 48

Em Vitória e Vila Velha o movimento também é intenso: 313 atracações no cais de Capuaba, 236 no Cais Comercial, 182 no Terminal de Vila Velha e 165 no cais de Aribiri.

"O tagueamento vem justamente para complementar essas informações e dar uma radiografia muito mais detalhada de como essas baleias estão utilizando essa área", explica o ambientalista Thiago Ferrari, diretor do Instituto O Canal e do projeto Amigos da Jubarte.

Marcas que contam uma história

Nos arquivos dos pesquisadores há vários registros de animais feridos que podem ter sido vítimas de colisões: baleias com marcas, cortes, cicatrizes e até partes da nadadeira peitoral decepadas. Segundo Ferrari, casos assim aparecem praticamente em todas as temporadas desde o início das expedições, em 2014.

Entre eles está o de uma fêmea filmada em Guarapari, em 2024, nadando ao lado do filhote. Uma avaliação veterinária apontou que as lesões já estavam em estágio avançado de cicatrização, indicando acidente ocorrido seis a oito meses antes — sem que seja possível determinar onde. A fêmea sobreviveu e depois teve a cria que aparece ao seu lado nas imagens.

O que o satélite acrescenta

O Espírito Santo já reúne informações obtidas por drones, monitoramento acústico, fotoidentificação e observação em embarcações. O rastreamento por satélite acrescenta a possibilidade de acompanhar o deslocamento de um mesmo animal por um período maior e numa área mais ampla. Os transmissores, de cerca de 100 gramas, serão aplicados na região dorsal com auxílio de balestra.

O projeto foi financiado pelo Fundema, com R$ 789.170 do governo capixaba, e reúne cientistas e estudantes vinculados à Ufes. Outra iniciativa independente, o Quero Ver Baleias, recebeu R$ 146.700 da Fapes para impulsionar tecnologia e turismo sustentável.

Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.

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