Agora
Pedido de vista de Dino trava julgamento e adia decisão sobre investigar Moraes
Ministro tem até 90 dias para devolver o processo, prazo que termina em dezembro — depois das eleições. Placar estava em 4 a 3 pela análise separada dos casos de Moraes e Mendonça.
Redação Mira da Notícia
O Supremo Tribunal Federal suspendeu na terça-feira (15) o julgamento que discute a validade de um relatório da Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O mérito do caso — se o plenário abre ou não uma investigação contra o ministro — sequer começou a ser analisado.
O que ocupou a sessão inteira foi uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes e Flávio Dino, que previa reunir os processos relacionados ao caso, redistribuir a relatoria por sorteio e abrir prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O placar e a vista
A votação estava em 4 votos a 3 pela manutenção de análises separadas — de um lado a conduta de Moraes na relação com Daniel Vorcaro, de outro a de André Mendonça na condução do relatório do caso Master — quando Flávio Dino, que havia votado com a corrente favorável à junção, mudou de posição e pediu vista.
O pedido suspende o julgamento. Dino tem até 90 dias corridos para devolver o processo, prazo que se encerra em dezembro deste ano. Se não se posicionar nesse intervalo, o caso volta automaticamente à pauta.
Uma sessão de embates
Iniciada pela manhã e interrompida no começo da noite, a sessão foi marcada por atritos entre os ministros. Divergências sobre a atuação da Polícia Federal e sobre a própria condução dos trabalhos provocaram trocas de acusações no plenário.
Como a crise chegou até aqui
O estopim foi a decisão de André Mendonça de levantar o sigilo de relatórios da PF produzidos nas investigações sobre o Banco Master. Um dos documentos apontou 52 mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Moraes acusou o colega de fazer uma liberação "seletiva" dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou ter mantido sob sigilo apenas o necessário para preservar investigações em curso e dados de terceiros.
A disputa também alcançou o acesso ao material extraído do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral, e a PF confirmou na segunda-feira (14) ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes.
O que acontece agora
Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso das mensagens entre Vorcaro e Moraes começou a ser analisado pelo plenário nesta terça; as acusações de Moraes contra Mendonça estavam marcadas para 23 de setembro.
Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.