Bate-boca, impedimento e suspeição: os dez momentos que marcaram a sessão do STF
Pela primeira vez o plenário discutiu abrir investigação contra um integrante da própria Corte. Dois ministros saíram da votação, Cármen Lúcia pediu desculpas ao país e o julgamento terminou sem decisão.
Redação Mira da Notícia
O Supremo Tribunal Federal viveu na terça-feira (15) uma sessão histórica. Pela primeira vez, o plenário discutiu a possibilidade de abrir investigação contra um integrante da própria Corte. O julgamento terminou sem decisão, após pedido de vista de Flávio Dino. Veja os dez momentos que resumem o dia.
1. Nada resolvido
O placar parou em 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Votaram por casos separados Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia; pela análise conjunta, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Sem definição, prevalece por ora a decisão de Fachin de julgá-los em separado.
2. A relatoria de Fachin em xeque
Foi o decano Gilmar Mendes quem apresentou a questão de ordem propondo a análise conjunta e defendendo que a relatoria fosse definida por sorteio, como prevê o regimento interno. Fachin se posicionou contra e rejeitou a redistribuição.
3. O apelo de abertura
Ao abrir os trabalhos, Fachin defendeu a preservação da Corte e pediu que os ministros evitassem ataques pessoais. "Não se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. A divergência é legítima; o confronto pessoal não", disse. E completou: "Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos".
4. Nunes Marques se declara impedido
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques alegou não se sentir confortável em participar. "Tenho uma missão que é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026", afirmou, antes de deixar o plenário. Seu nome e o do filho, Kevin Marques, aparecem em diálogos extraídos do celular de Daniel Vorcaro; ele negou irregularidades.
5. Toffoli alega foro íntimo
Dias Toffoli declarou suspeição, mas decidiu ficar. "Declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei", disse. Ele foi relator das apurações sobre o Banco Master no STF até fevereiro.
6. "Quem tem medo da PF?"
Moraes e Mendonça bateram boca em plenário. "Não há como julgar hoje sem julgar. Quem tem medo da Polícia Federal?", questionou Moraes. "Não é questão de medo, não", respondeu Mendonça. Moraes acusou o colega de ter pressionado a PF para incluí-lo em uma delação e disse ter testemunhas. "Isso é mentira", rebateu Mendonça.
7. Gilmar contra Mendonça
O decano afirmou haver "inequívoco viés eleitoral" na condução do processo. "O senhor está sendo leviano", respondeu o relator.
8. "Pode chorar"
Em outro momento, ao defender o procurador-geral Paulo Gonet, Gilmar Mendes elevou o tom. "A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite, me respeite", gritou Mendonça. "Pode chorar, pode chorar", devolveu Gilmar.
9. "PF paralela"
Ao comentar o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Luiz Fux disse que não se pode admitir um órgão "peitando ministro do STF". Mendonça, fora do microfone, completou: "Temos hoje uma PF paralela".
10. As desculpas de Cármen Lúcia
A ministra afirmou estar em "profunda consternação e tristeza" e pediu desculpas aos brasileiros pelo "mal-estar cívico" provocado pela crise. "Todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais", declarou.
Nos bastidores, o clima mudou quando Fachin suspendeu a sessão: Gilmar e Moraes saíram juntos conversando, e Dino se levantou, foi até o presidente da Corte e o abraçou.
Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.