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MP denuncia 19 por 'banco do crime' que lavava dinheiro do PCC com operadores da Lava Jato

Estrutura funcionou de 2019 a 2025 com empresas de fachada e troca de dinheiro vivo por transferência bancária; Gaeco pede indenização mínima de R$ 10 milhões.

Redação Mira da Notícia

MP denuncia 19 por 'banco do crime' que lavava dinheiro do PCC com operadores da Lava Jato

O Ministério Público de São Paulo denunciou 19 pessoas acusadas de montar uma estrutura financeira clandestina que operava como um "banco do crime" para integrantes e colaboradores do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema reuniu operadores financeiros com passagem por outros grandes casos de lavagem de dinheiro e pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Cléber Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva, o "Paulo Barão", são apontados como o centro da estrutura, que teria movimentado "quantias bilionárias".

Os acusados respondem por organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros delitos, conforme a atuação individual de cada um. O MP pede ainda que paguem solidariamente indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e sociais.

Como o dinheiro circulava

A denúncia sustenta que a estrutura funcionou ao menos entre 2019 e 2025, usando empresas de fachada, contas de terceiros e laranjas para dificultar o rastreamento.

O principal serviço era a chamada "troca de TED por vivo": o grupo recebia dinheiro em espécie de origem sabidamente ilícita e, mediante comissão, fazia uma transferência bancária de valor equivalente por meio de contas próprias, de laranjas ou de empresas de fachada. O caminho inverso também era oferecido — recursos recebidos pelo sistema bancário podiam ser convertidos em dinheiro vivo.

Para os promotores, essas operações permitiam reinserir na economia formal, com aparência lícita, valores vindos principalmente do tráfico. Mensagens obtidas em celulares apreendidos nas operações Recidere e Bazaar indicariam que os envolvidos conheciam a origem do dinheiro — informação usada, inclusive, para calcular o deságio cobrado.

Da Lava Jato ao PCC

O Gaeco descreve o caso como uma "convergência criminal": operadores especializados em ocultar patrimônio ilícito passaram a prestar a mesma estrutura ao PCC.

A contadora Meire Bonfim da Silva Poza, com atuação em esquemas revelados pela Lava Jato, é apontada como peça essencial. Segundo o MP, ela elaborava declarações fiscais, analisava documentos tributários e prestava assessoria contábil para dar aparência de legalidade às operações, além de participar diretamente das trocas. A investigação afirma que ela recebia de Cléber Azevedo R$ 70 mil mensais pela exclusividade dos serviços — valor que teria reconhecido em mensagem de fevereiro de 2023.

Raphael Flores Rodriguez, o "Batata", já condenado na Lava Jato, teria ido além da condição de cliente: comprou imóveis em sociedade com outros operadores, negociou veículos, compartilhou caixas com recursos de atividades criminosas e participou de situações envolvendo corrupção policial, segundo o Gaeco.

Ligação direta com a facção

Entre os apontados como usuários da estrutura está Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho". Também aparece Alexandre Salles Brito, o "Buiu", já denunciado na Operação Fim da Linha por organização criminosa e lavagem relacionadas ao PCC e à empresa de ônibus UpBus. O MP afirma que ao menos dez operações, somando R$ 232 mil, foram feitas em benefício dele.

Para os promotores, a relação não se limitava a serviços eventuais: os acusados conheciam termos internos da facção, participavam de sessões do chamado "tribunal do crime" e chegavam a recorrer ao poder de coerção da organização para resolver disputas patrimoniais próprias.

Corrupção policial e desdobramentos

A denúncia afirma que Marlon Antonio Fontana intermediava pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis. Esses episódios são objeto da Operação Bazaar, que identificou o que o MP chama de "corrupção sistêmica".

O Gaeco enviou cópia integral dos autos para subsidiar inquéritos na Justiça Militar sobre possíveis crimes atribuídos aos coronéis José Augusto Coutinho, Luiz Carlos Pereira Martins e um terceiro identificado como "Patricio". Eles não foram denunciados nesta ação.

Parte dos fatos foi separada para novas apurações, entre elas movimentações atribuídas a Danillo Vinícius da Silva Rosário: uma empresa ligada a ele teria movimentado mais de R$ 28 milhões em seis meses, apesar de declarar faturamento anual de cerca de R$ 5,3 milhões. O MP pediu a manutenção das prisões preventivas e do sequestro de bens. Há acusados foragidos, entre eles Leonardo Meirelles.

Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.

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