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Jardim Pantanal chega ao 4º dia de alagamento e água invade casas na Zona Leste de SP

Ruas estão submersas desde sábado; moradores perderam móveis e atravessam trechos alagados para trabalhar. Prefeitura diz que bombeamento foi acionado em cinco pontos.

Redação Mira da Notícia

Jardim Pantanal chega ao 4º dia de alagamento e água invade casas na Zona Leste de SP

O Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, entrou nesta terça-feira (15) no quarto dia seguido de alagamentos. A água está acumulada nas ruas desde sábado (12) e já alcançou o interior de casas.

Mesmo sem chuva no início da manhã, vias continuavam tomadas. No cruzamento das ruas Salsa Parrilha e Anuja, na região do Itaim Paulista, moradores precisavam atravessar trechos submersos para sair de casa e ir trabalhar.

Perdas dentro de casa

O morador Luís teve sala e garagem alagadas e perdeu cama, guarda-roupa e roupas. Eberson relatou que a água batia na altura dos joelhos em frente ao portão; ele precisou sair para trabalhar e deixou em casa a mulher, doente, e os três filhos.

"É o medo de perder as coisas dentro de casa. Eu saio para trabalhar e tenho que levantar as coisas, e a mulher também está doente, em cima da cama. Aí fica difícil levantar as coisas sozinha dentro de casa", afirmou.

Na Rua Tietê, Adilson acompanhava a mulher levando uma bolsa com muda de roupa, para que ela pudesse se trocar ao chegar a um trecho seco. Ele observou que, desta vez, a chuva pegou os moradores de surpresa por ter ocorrido em setembro, fora do período habitual dos alagamentos.

Moradores também relataram que os caminhões de coleta não conseguiram entrar nas ruas alagadas e que o lixo começou a se acumular em meio à água.

O que diz a prefeitura

Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras, equipes realizaram bombeamento em cinco pontos da região na segunda-feira (14). O sistema de bombeamento do pôlder do Jardim Pantanal, na Rua Tite de Lemos, na Vila Seabra, foi acionado no fim de semana — a estrutura existe justamente para conter o avanço da água sobre áreas habitadas.

Equipes da Sabesp e da prefeitura usaram bombas para lançar a água acumulada no Rio Tietê, mas o nível elevado do rio dificultava o escoamento.

A gestão municipal informou que, desde dezembro de 2025, 789 famílias foram retiradas de áreas de risco pelo Plano Recupera Pantanal, e que 1.021 famílias foram cadastradas em programas de assistência social. Segundo a prefeitura, a região recebe R$ 59,8 milhões em obras de drenagem, pavimentação e contenção no Tietê, com conclusão prevista para novembro de 2026, dentro de um programa de R$ 700 milhões até 2029.

O governo estadual afirma ter retirado mais de 370 mil metros cúbicos de sedimentos do Rio Tietê para ampliar a capacidade de escoamento no trecho.

Uma CPI já havia apontado o problema

Os alagamentos foram investigados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal de São Paulo. O relatório final, concluído em junho após nove meses de trabalho, atribuiu as enchentes a uma combinação de fatores ambientais e urbanísticos somada à falta de ações integradas e contínuas do poder público ao longo de décadas.

No Jardim Pantanal vivem cerca de 45 mil pessoas, boa parte em áreas sujeitas às inundações do Tietê, que contorna a região. Na segunda-feira, o bairro já acumulava mais de 60 horas com ruas debaixo d'água; a Escola Estadual Cristina de Castro Paes, a cerca de 3 km, foi transformada em abrigo e recebeu 12 famílias.

Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.

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