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Casa Branca acusa Brasil de falhar contra PCC e Comando Vermelho; Ministério da Justiça refuta

Em documento anual enviado ao Congresso americano, Trump diz que as facções transformaram o país em ponto central do fluxo global de cocaína. O mesmo texto elogia Argentina, Equador, El Salvador e o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela.

Redação Mira da Notícia

A Casa Branca acusou o governo brasileiro de "falhar" no combate ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho, facções que os Estados Unidos classificam como organizações terroristas. A declaração está em texto assinado pelo presidente Donald Trump, enviado ao Congresso americano e revelado na terça-feira (16) pelo Departamento de Estado.

"Enquanto muitos governos do Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil tem falhado em enfrentar as designadas organizações terroristas estrangeiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o país em um ponto central para o fluxo global de cocaína", diz o documento.

Os Estados Unidos afirmam que as facções brasileiras são uma "ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo" e que o Brasil "precisa urgentemente tomar medidas agressivas para confrontá-las e derrotá-las antes que elas se espalhem e cresçam".

A resposta do governo brasileiro

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que "o governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional". A pasta citou a sanção da Lei Antifacção, que prevê penas mais severas para líderes de facções, e "dezenas de milhares de operações de combate ao crime por forças federais".

O ministério também observou que o Brasil não foi incluído na relação formal de países classificados como principais rotas de trânsito ou de produção ilícita de drogas. "A alusão registrada no texto não corresponde à categoria jurídica de descumprimento formal prevista na legislação norte-americana que rege esse mecanismo anual. Trata-se, portanto, de manifestação circunstancial inserida na parte narrativa do documento, sem respaldo em sua parte dispositiva", afirmou.

O governo diz ainda aguardar resposta da Casa Branca a uma proposta apresentada por Lula em Washington, em 7 de maio, com medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas.

O histórico da designação

PCC e Comando Vermelho foram classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos no início de junho. A medida foi uma derrota diplomática do governo Lula, que se opunha à designação por considerá-la um risco à soberania nacional, ao abrir espaço para ações militares americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.

Flávio Bolsonaro, principal oponente de Lula na disputa presidencial, defendia a medida publicamente havia mais de um ano. O anúncio da designação veio em maio, um dia depois de ele encerrar uma viagem aos Estados Unidos em que se encontrou com Trump.

Quem foi elogiado e quem foi punido

O documento é enviado anualmente ao Congresso para identificar os principais países de rota ou produção de drogas ilícitas e orientar o repasse de verbas de segurança. Neste ano, a lista inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá e Peru.

"Saúdo três dos maiores aliados dos Estados Unidos em nosso hemisfério — Argentina, Equador e El Salvador — por sua liderança, determinação e sucesso no combate ao narcoterrorismo", escreveu Trump.

O texto também elogia o governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela, que assumiu em janeiro após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. "Diante dos avanços positivos alcançados sob a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez, determinei que a Venezuela não deve mais ser classificada como um país que comprovadamente falhou em cumprir seus compromissos de controle de drogas", afirmou Trump. Na lista dos que falharam ficaram Afeganistão, Bolívia, Colômbia e Mianmar.

Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.

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