Brasil

Diploma dobra a renda, mas 42,8% dos formados dizem que falta experiência para entrar no mercado

Pesquisa do Instituto Semesp com 4.106 egressos mostra rendimento médio saltando de R$ 2,7 mil antes da graduação para R$ 5,8 mil depois. Medicina lidera a empregabilidade na própria área, com 95,7%.

Redação Mira da Notícia

Concluir o ensino superior está associado a um salto expressivo de renda, segundo a 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp. O rendimento médio mensal bruto dos entrevistados passou de R$ 2,7 mil antes da graduação para R$ 5,8 mil depois do diploma — alta de 110%. Na edição anterior, de 2024, os valores eram de R$ 2,4 mil e R$ 4,6 mil.

O estudo faz uma ressalva importante: o aumento não pode ser atribuído apenas ao diploma, já que também reflete experiência profissional, progressão na carreira e mudanças de ocupação.

A barreira da entrada

A transição da faculdade para o mercado continua difícil. Questionados sobre os obstáculos para exercer atividade remunerada, 42,8% apontaram a falta de experiência na área. Em seguida vêm salários baixos (29,6%) e falta de vagas na área de formação (26,2%). Também foram citadas a adaptação à rotina profissional (16%), dificuldades de networking (15,7%) e falta de vagas em qualquer área (9,3%).

A queixa aparece mesmo entre quem já tinha contato com o mercado: seis em cada dez (60,6%) já exerciam atividade remunerada durante a graduação.

Onde o diploma vira profissão

Entre os que têm atividade remunerada, 77,1% trabalham na própria área de formação. Medicina lidera o recorte por curso, com 95,7%, seguida de Odontologia (84,5%), Engenharia Elétrica (80%), Sistemas de Informação (79,2%), Farmácia (77,4%), Fisioterapia (77,1%), Educação Física (75%), Pedagogia (74,8%), Medicina Veterinária (70,4%) e Psicologia (69,4%).

No outro extremo, a maior parcela de formados atuando fora da área aparece em Gestão de Pessoas/RH (42,2%), Marketing (32,1%), Engenharia Civil (31%) e Análise e Desenvolvimento de Sistemas (30%).

Presencial e a distância

A modalidade do curso faz diferença. Entre os egressos com atividade remunerada que estudaram presencialmente, 81,3% trabalham na área de formação. No semipresencial, são 75%. No ensino a distância, o índice cai para 58,4% — ou seja, 41,6% atuam em outro campo.

A amostra é concentrada no ensino privado: 98,5% dos entrevistados se formaram em instituições particulares, e 66% haviam concluído a graduação havia menos de três anos.

Pós-graduação e diferença por gênero

A renda média é de R$ 4.630 entre quem tem só a graduação, sobe para R$ 6.684 entre quem fez especialização ou MBA e chega a R$ 9.262 entre os que têm mestrado, doutorado ou pós-doutorado.

A pesquisa também encontrou diferença relevante por gênero: a média salarial das mulheres é de R$ 4.913, contra R$ 6.992 entre os homens — uma vantagem masculina de 42,3%. Na faixa acima de R$ 15 mil estão 4,8% delas e 12,4% deles.

A lacuna da inteligência artificial

Quase metade dos entrevistados (49,4%) afirma que a inteligência artificial aumentou sua produtividade ou transformou significativamente suas atividades. Mas só 27,8% avaliam que a graduação os preparou plena ou parcialmente para usar ferramentas digitais e IA — e 45,7% dizem não ter recebido preparação nenhuma.

Entre as sugestões dos egressos às instituições estão ampliar parcerias com empresas, criar programas de primeiro emprego, aumentar a oferta de estágios remunerados e atualizar os currículos. A pesquisa ouviu 4.106 egressos de 200 instituições e 134 cursos entre 8 de julho e 23 de agosto de 2026.

Com informações do g1 / globo.com. Texto redigido pela redação do Mira da Notícia.

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